Quando eu era criança, gostava de brincar com minhas amigas, de ficar olhando a imensidão do céu e os desenhos formados nas nuvens. Adorava ficar no sol, olhar as flores e árvores, cada uma com sua particularidade sendo refletida através dos raios de sol.

Amava estar com minha família – as risadas, as conversas, a simples presença dos meus pais e irmãos já fazia meu coração ficar em paz.

Eu vivia um mundo só meu, e neste mundo a felicidade e o amor eram algo normal para mim. Cresci apaixonada pela vida e sabendo enxergar a felicidade em pequenas coisas.

Mas o tempo passou e as complicações da vida adulta começaram a surgir – stress no trabalho, problemas financeiros, correria, etc. E aos poucos, sem eu perceber, tudo isso foi roubando minha alegria.

Até que em 2012 os primeiros problemas de saúde começaram a surgir. No meio de tantos (gastrite, esofagite, faringite, conjuntivite) um em especial causou pânico: glicemia alta. Fui diagnosticada como pré-diabética!

Nessa época eu já me interessava por uma vida saudável, costuma ler a respeito e tinha uma vida equilibrada, por isso o diagnóstico me desestabilizou. Como o médico já sabia do stress pelo qual eu estava passando, associou meu problema a isso.

E me aconselhou a cuidar do meu emocional e do meu físico para, então, iniciar um tratamento contra a diabetes.

Após o susto e com a ajuda do meu marido e de amigos, procurei uma psicóloga para fazer terapia (seria a ajuda para o meu emocional), e passei a estudar mais sobre alimentos e doenças. Foi quando descobri a alimentação funcional.

Em pouco tempo estes dois ‘remédios’ fizeram com que minha glicemia voltasse ao normal e permanecesse estabilizada até hoje.

Pequenos ajustes aqui e ali no meu cotidiano e aquela paixão pela vida renascia novamente. Já conseguia sorrir ao sentir o vento forte tocando meus cabelos ou me emocionar com um beija-flor na janela.

Um novo susto: Endometriose

Mas em 2014 novos mal-estares surgiram e, depois de uma longa jornada médica, finalmente descobri que estava com uma endometriose profunda e que precisava me submeter a uma cirurgia o mais rápido possível.

Naquele momento toda minha felicidade sumiu. Ninguém espera enfrentar algo assim – nós nos sensibilizamos pelo vizinho, amigo, parente, mas nunca pensamos em nós.

Mas graças a Deus tive forças para seguir e não desistir da vida – logo eu que sempre fui apaixonada por ela, não ia me entregar assim.

Me submeti a uma cirurgia delicada em que, entre uma coisa e outra, tive parte do meu intestino retirado.

Em razão disso sabia que teria um difícil caminho a percorrer nos próximos meses, mas estava cercada por uma boa equipe médica e – o principal – de amor. Meu marido, familiares e amigos foram fundamentais nesta fase.

Enfrentei mais uma vez a vida com toda sua beleza, mas também com seus defeitos. Segui firme e forte, muitas vezes com medo e receio de novas descobertas, mas não desisti.

Como aderi à alimentação funcional

Aquele foi o momento de colocar em prática todas as teorias e exercícios da terapia junto com a minha fé. Mas aliada a tudo isso estava minha nova alimentação.

Eu aderi 100% à alimentação funcional. Passado algum tempo da cirurgia eu já tinha os efeitos positivos dela no meu corpo.

Não tive anemia ou qualquer problema ligado ao intestino, como os médicos haviam alertado. Ao contrário, meus exames surpreendentemente estavam melhores do que antes da operação.

O tempo mais uma vez passou e, desta vez, a cada dia eu encontrava a felicidade: De estar viva, de poder sentir o cheiro de chuva, de poder dar uma volta no parque de mãos dadas com meu marido, de ver minha cachorrinha correr com seu jeito atrapalhado, de assistir um pôr-do-sol, de abraçar meus familiares e amigos.

De apreciar os melhores momentos da vida e fazer parte de tudo isso.

Foi assim que decidi começar este blog, para falar que a vida é linda, mesmo com os seus defeitos.

Assim como na culinária, é preciso encontrar o equilíbrio entre os seus temperos (amor, raiva, paz, felicidade).

Quero ajudar você a temperar melhor sua vida com uma alimentação funcional e uma vida emocional equilibrada.

Você verá que ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas é extrair de pequenas coisas grandes emoções.

por Aline Guedes